Nesse abismo que separa inovações tecnológicas e práticas antigas, a perícia criminal surge como a novidade do momento, quando o assunto é investigação policial. Parte dessa popularidade deve-se à investigação do caso Isabella. Em São Paulo existem 910 peritos que se desdobram para solucionar milhares de crimes no Estado. O problema é a quantidade média de casos para cada profissional resolver: 53 exames por mês.
Há também falhas que atrapalham o trabalho de um perito. “Infelizmente algumas exigências, como a preservação do local após a descoberta do crime, nem sempre são seguidas à risca no Brasil”, disse o diretor de comunicações da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais, Helio Buchmüller.
Procurados – Em outra ponta de atuação, passadas as etapas de investigação e prisão, a polícia também é responsável por tentar recapturar os foragidos. Para se ter uma idéia da dimensão do problema, 10 equipes do Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird) da Polícia Civil estão à caça de mais de 160 mil procurados pela Justiça. Desse total, 131.547 por crimes penais e 28.644, por civis (a maioria por falta de pagamento de pensão).
Da lista de procurados, apenas 36 aparecem na página da Polícia Civil da internet como os mais procurados. Os nomes foram sugeridos por delegados de todo o Estado. Não à toa, os homens e mulheres da lista carregam o rótulo de criminosos de “altíssima periculosidade”. Mas diferente da lista de procurados do FBI, que ostenta nomes como Osama Bin Laden e que já teve o traficante colombiano Juan Carlos Abadía, poucos são conhecidos da maioria da população.
Chile – O mais notório e que curiosamente não é considerado altamente perigoso é o ex-promotor Igor Ferreira da Silva, condenado a 16 anos e 4 meses pelo assassinato da mulher, Patrícia Aggio Longo, em 1998. Após o julgamento, ele fugiu da polícia e, hoje, suspeita-se que ele esteja escondido na cidade de Puerto Montt, no Chile.
A lista das figurinhas carimbadas da polícia praticamente se encerra com o nome do ex-promotor. Algumas pessoas até já ouviram falar do apelido de Sônia Aparecida Rossi, a Maria do Pó, uma das maiores traficantes de drogas brasileira. Porém, dificilmente se recordem da comparsa de Maria do Pó, a homicida e condenada a 90 anos, Cleonice Santos de Jesus, a Tatona. E o que dizer de Fábio Fernandes da Silva, o Vampirinho, um dos autores do seqüestro de Marina Silva, da mãe do jogador Robinho.
“Diferente de outros lugares, em São Paulo não há bandidos celebridades e nem queremos. Isso estimula o surgimento desses criminosos populares e que incentivam novos criminosos”, disse Reinaldo Corrêa, delegado da Divisão de Capturas da Polícia Civil. Ele afirma que a lista é importante e, mesmo com acesso para o público em geral, apenas os policiais acessam a página dos procurados. “Os delegados de outras cidades é que utilizam a foto, mas o sistema poderia ser melhorado e divulgado”, disse Corrêa.
Diário do Comércio - SP