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PF desbarata quadrilha que fabricava aposentadorias

A Delegacia da Polícia Federal de Santa Cruz do Sul desbaratou ontem uma quadrilha especializada em “aposentar” pessoas antes do tempo. O esquema funcionava a partir da agência da Previdência Social de Encantado, no Vale do Taquari. Dentre os sete presos está o prefeito eleito de Relvado.

A Operação Sonho Encantado, como foi batizada, ocorreu durante a manhã de ontem nos municípios de Encantado, Muçum, Relvado e Roca Sales. Os agentes da PF de Santa Cruz contaram com o apoio de colegas de outras unidades e do Ministério da Previdência. Conforme o delegado federal Marcelo Picarelli, no Vale do Taquari foram presos dois funcionários da agência em que ocorriam as fraudes e também cinco pessoas que intermediavam a negociação entre tais servidores e os interessados. Além de cobrar pelo “serviço”, estes intermediários também já teriam se aposentado de forma irregular. “Conforme apuramos, os funcionários da Previdência detidos eram os que menos lucravam com a fraude”, revela o delegado.

A Polícia Federal não divulgou os nomes dos presos, mas a imprensa apurou que um deles é Jatir Radaelli, prefeito recém-eleito de Relvado, também no Vale do Taquari. A operação recolheu ainda três automóveis de luxo, R$ 39,8 mil, 53,7 mil dólares, jóias e pedras preciosas em formato bruto que ainda serão encaminhadas à perícia, mas aparentam ser esmeraldas. O delegado-chefe da PF de Santa Cruz, Luciano Flores de Lima, ressalta que, ao longo dos cinco meses de investigação, também foram identificadas cerca de 150 pessoas aposentadas pelo esquema. “Elas também terão que se explicar e ressarcir os cofres públicos”, avisa.

O ESQUEMA
Para fabricar aposentadorias, os servidores entravam no sistema do INSS e “acrescentavam” até 15 anos de trabalho e contribuição. De acordo com o assessor-chefe de Pesquisa Estratégica da Previdência, Dilmar Pregadier, um recurso bastante utilizado era a aposentadoria agrícola. Segundo ele, o grupo também aumentava gradativamente os valores do benefício fraudulento. Em média, o golpe rendia entre R$ 2 mil e R$ 3 mil mensais. Alguns interessados, para agilizar a obtenção de grandes somas, tiravam empréstimos consignados. Estima-se que em dois anos o esquema tenha causado um rombo de R$ 5 milhões aos cofres públicos.

OPERAÇÃO CHACRINHA
A Operação Sonho Encantado foi realizada ao mesmo tempo que a Operação Chacrinha, que desbaratou um esquema idêntico na Região Metropolitana e prendeu seis pessoas. Conforme a PF, as duas quadrilhas não tinham relação, mas as prisões foram realizadas ao mesmo tempo para evitar que a divulgação de uma prejudicasse o êxito da outra.

Fonte: Gazeta do Sul
Quarta-feira, 19 de novembro de 2008


Postado por: William Grangeiro
Data de postagem: 19/11/2008
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