Cellebrite ajuda Polícia Civil de Minas a vasculhar celulares

postado 09/04/2018 por

Nos EUA, cruzamento de dados de big data ajuda a prever onde e quando crimes podem acontecer

 Equipamentos de ponta já estão sendo usados há pelo menos três anos em diversas áreas da perícia em Belo Horizonte e no interior do Estado, alcançando resultados “excelentes”, segundo o diretor do Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas, Dário Luiz.

Um dos mais recentes é o Cellebrite. Em operação há um ano, o equipamento produzido em Israel permite extração avançada de dados de aparelhos celulares e é atualizado anualmente com as tecnologias dos novos aparelhos.

“É um equipamento caro, custa cerca de R$ 100 mil. Já temos cinco na capital e quatro no interior nas seções do Instituto de Criminalística. Antes não tínhamos como desbloquear celulares para extrair dados. Como hoje alguns modelos possuem até 128 GB, são quase um computador”, diz Luiz.

Ainda neste mês, a fabricante do aparelho virá ao Brasil apresentar inovações para investigações forenses, como o Cellebrite Analytics, plataforma projetada para detectar e avaliar provas de mídias digitais com agilidade por meio de algoritmos de aprendizagem automático.

Outra novidade em implementação pelo Instituto de Criminalística é um banco de dados de amostras de perfis genéticos de criminosos condenados no Brasil por crimes sexuais. O Combine DNA Index System (Codis) – combinado de índices de DNA, em tradução livre – será uma rede integrada nacionalmente com o objetivo de buscar o cruzamento de dados e, assim, chegar a um possível criminoso ou inocentar um acusado.

“Tem sido possível analisar amostras cada vez menores, pois uma única gota contém milhares de células. O projeto ainda está na fase de coleta para alimentar o banco de dados”, diz o diretor.

O processamento de grandes volumes de dados tornou-se uma ferramenta para prever quando e onde um crime pode acontecer. De posse das informações, a polícia reforça o patrulhamento nessas áreas. Graças ao big data, a incidência de crimes sérios caiu 30% em Memphis (EUA), sendo que os episódios violentos tiveram redução de 15%.

Numa determinada área de Richmond, na Virgínia, a polícia conseguiu uma queda de quase 30% nos crimes violentos e homicídios em um ano. No Brasil, segundo Dario Luiz, esse banco de dados em todos os setores está em formação.

Segundo o diretor do Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas Gerais, Dário Luiz, outra tecnologia vem auxiliando os trabalhos de perícia. “Usamos um equipamento que permite uma identificação balística por meio de escaneamento 3D e comparação. Ao serem analisadas, as semelhanças permitem aos peritos correlacionarem um elemento balístico em mais de uma cena de crime onde uma mesma arma teria sido utilizada para cometer mais de um delito”, diz.

Na área de crimes cibernéticos e pedofilia, recentemente os peritos criminais federais Pedro Eleutério e Mateus Polastro receberem um prêmio na Coreia do Sul após criarem o software portátil NuDetective, uma ferramenta computacional usada para detecção automática de vídeos e fotos de pornografia infantojuvenil, com versões em português, inglês e espanhol.
 
Filmes e séries popularizam ciência forense

Com toda essa tecnologia forense, não é de se admirar que esse campo seja um dos que mais crescem. Além disso, séries e filmes como “Sherlock Holmes”, “Hannibal”, “Making a Murderer” e atuais programas de investigação criminal de grande sucesso, como “Crime Scene Investigation” (“CSI”), contribuíram para aumentar o interesse público na análise forense.

Segundo o professor da USP Jesus Antonio Velho, perito criminal federal que atua nas áreas de análises de locais de crime, química forense e balística, entre outras, o interesse nas ciências forenses, em boa parte motivado pelos seriados de investigação criminal e pelas obras cinematográficas, tem-se refletido na rápida expansão dos cursos de especialização pelo país. “Hoje temos dezenas de cursos em atividade”, afirma.

Ainda assim, para o presidente da Academia Brasileira de Ciências Forenses (ABCF), Hélio Buchmüller, o baixo efetivo de profissionais nos órgãos periciais é um gargalo no Brasil. “Ainda que bem qualificados, os peritos brasileiros nem sempre conseguem fazer o melhor trabalho, pois a demanda é muito grande”, diz.

 

 

Fonte:  O Tempo
Segundo, 9 de abril de 2018

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