A perícia criminal federal teve participação de destaque no 10º Encontro Nacional de Química Forense (ENQFor) e no 7º Encontro da Sociedade Brasileira de Ciências Forenses (SBCF), realizados de 16 a 19 de agosto, no campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. Peritos criminais federais compartilharam conhecimentos e experiências em palestras, painéis, mesas integrativas e minicursos dedicados a diferentes áreas da atividade pericial.
Com o tema “Novos Horizontes para as Ciências Forenses”, os encontros reuniram pesquisadores, professores e profissionais do Brasil e do exterior para discutir inovações tecnológicas, novas metodologias e desafios presentes nas investigações criminais. A programação incluiu conferências, sessões temáticas, apresentações de trabalhos científicos, minicursos e atividades práticas. A APCF foi uma das apoiadoras dos eventos.
A aplicação da inteligência artificial às ciências forenses esteve entre os destaques. O perito criminal federal Arnaldo Gomes dos Santos Junior, que atuou como oficial de Crimes Cibernéticos da Interpol em Singapura entre 2021 e 2023, ministrou um minicurso e uma palestra sobre o tema. As atividades abordaram possibilidades de uso da IA em pesquisa, análise de documentos, imagens e dados e no apoio à elaboração e à revisão de laudos, além de limitações, confiabilidade, privacidade e segurança da informação.
O combate à mineração ilegal também integrou os debates. A perita criminal federal Karen Santos e Silva apresentou o Programa Ouro Alvo e o trabalho desenvolvido para determinar a origem do ouro ilegal no Brasil. A iniciativa emprega conhecimento geológico e técnicas científicas para ampliar a rastreabilidade do minério e contribuir para investigações relacionadas à extração e ao comércio ilegais.
Na área de documentoscopia, os peritos criminais federais Erick Simões da Câmara e Silva e Priscila Dias Sily participaram do painel “Do papel ao pixel: os novos caminhos da Documentoscopia Digital”. A discussão tratou das transformações na produção, assinatura, armazenamento e verificação de documentos diante de tecnologias como assinaturas eletrônicas e inteligência artificial.
Temas de repercussão atual também estiveram presentes. A perita criminal federal Diana Brito da Justa Neves participou do painel sobre as chamadas canetas emagrecedoras, que abordou a falsificação desses medicamentos e a análise dos produtos apreendidos. Na área ambiental, Cristiano da Cunha Duarte apresentou o Programa Brasil MAIS e o uso de imagens de satélite no enfrentamento ao desmatamento, à mineração ilegal, às queimadas e às ocupações irregulares. Mauro Mendonça Magliano participou do debate sobre valoração de danos ambientais.
Integrantes da diretoria da APCF também participaram da programação científica. O secretário-geral da Associação, perito criminal federal Rafael de Liz, integrou a mesa “Cadeia de Custódia” e apresentou a palestra “Integridade e Rastreabilidade da Prova Pericial”, em debate que reuniu representantes da advocacia e da Justiça Federal. A suplente de secretária-geral da APCF, perita criminal federal Mônica Paulo, participou da mesa dedicada ao Sistema de Alerta Rápido sobre Drogas.
A programação contemplou ainda discussões sobre comparação facial, bancos de dados periciais integrados, antropologia forense, análise de alimentos e produtos comerciais, perícias em obras de arte e relógios de luxo, microvestígios e comunicação das ciências forenses.
“Essa diversidade de temas mostra como a perícia criminal está presente em desafios cada vez mais complexos, do ambiente digital aos crimes ambientais e financeiros. A ciência precisa acompanhar as transformações da criminalidade e, muitas vezes, antecipá-las. O intercâmbio entre peritos, pesquisadores e universidades é fundamental para desenvolver novos métodos e fortalecer a produção da prova científica no país”, afirma o presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Marcos Camargo.
APCF recebe prêmio pelo Podcast Perícia Federal
Durante o encontro, o Podcast Perícia Federal, da APCF, recebeu o 7º Prêmio Destaque Forense na categoria “Trabalho de Divulgação”. Promovida pela SBCF, a premiação reconhece profissionais, projetos e trabalhos que contribuem para o desenvolvimento e a divulgação das ciências forenses no Brasil.
Danielle Ramos, assessora de Relações Públicas e Eventos da APCF e uma das apresentadoras do podcast, representou a equipe e recebeu o prêmio em nome do programa. Ela divide a apresentação com o jornalista Gustavo Azevedo, assessor de comunicação da entidade pela Novo Selo Comunicação. Ambos também participaram da concepção da iniciativa.
Criado para ampliar o conhecimento da sociedade sobre as ciências forenses e a atuação da perícia criminal federal, o podcast recebe especialistas e convidados para discutir temas relacionados à ciência, à segurança pública, à Justiça e ao trabalho dos peritos criminais.
Homenagem a Octavio Brandão
Ao fim do encontro, foi prestada uma homenagem à memória do perito criminal federal aposentado Octavio Brandão Caldas Neto, ex-presidente da APCF e ex-diretor do Instituto Nacional de Criminalística (INC), falecido poucos dias antes do evento.
Brandão dedicou mais de 35 anos de sua trajetória profissional à Polícia Federal, onde ingressou em 1981. Presidiu a APCF de 2007 a 2010 e teve participação importante na construção e na estruturação do INC, além de atuar ao longo da carreira pela valorização da perícia criminal federal e pela defesa da categoria.


