O Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília, recebeu, entre 31 de agosto e 4 de setembro, técnicos brasileiros e de outros países da América Latina para o IX Curso de Instrumentação em Química Analítica – Conhecimentos Básicos em CG/EM – PNIDD. Realizada no âmbito do Programa Nacional de Integração de Dados Periciais sobre Drogas (PNIDD), a capacitação combinou atividades teóricas e práticas com a troca de métodos e experiências voltados à identificação de drogas e de novas substâncias psicoativas.
A atividade acrescentou uma dimensão regional às capacitações promovidas e apoiadas pelo PNIDD em 2026. Segundo o perito criminal federal Maurício Leite Vieira, chefe do Serviço de Perícias de Laboratório (SEPLAB), os treinamentos anteriores relacionados à cromatografia gasosa estavam concentrados nos institutos estaduais de perícia. Nesta edição, a participação de profissionais latino-americanos permitiu aproximar laboratórios com diferentes estruturas e formas de trabalho.
Durante o curso, os participantes estudaram a operação e as aplicações do cromatógrafo gasoso acoplado ao espectrômetro de massas. O equipamento permite separar e identificar os componentes presentes em uma amostra e pode ser empregado na análise de drogas, medicamentos, agrotóxicos e outras substâncias químicas.
“Esse é um tipo de equipamento que não só analisa, separa e identifica vários tipos de drogas, como também medicamentos, agrotóxicos e outras substâncias químicas”, explicou Maurício.
O intercâmbio abrange tanto drogas clássicas, como cocaína e maconha, quanto o avanço das novas substâncias psicoativas. Embora os peritos criminais federais tenham atuado como instrutores, Maurício ressaltou que a cooperação permite aos profissionais brasileiros conhecer técnicas e soluções adotadas por laboratórios de outros países diante de problemas semelhantes.
A participação de Letícia Pascovich, do Laboratório de Química e Toxicologia do ITF-URU, exemplificou essa complementaridade. Segundo a especialista uruguaia, a estrutura disponível no INC possibilita realizar análises importantes para a identificação de substâncias emergentes que ainda não podem ser conduzidas em seu país.
“O que me parece mais interessante é conseguir conjugar as condições de trabalho para detectar novas substâncias, sobre as quais há pouca informação. Em nosso país, não temos a possibilidade de elucidar estruturas, e aqui, sim. Então, seria importante combinar o trabalho dos dois países para enfrentar a emergência desse tipo de substância”, afirmou.
O projeto relacionado à capacitação recebe apoio do Departamento de Estado dos Estados Unidos. De acordo com Gabriel Andreuccetti, oficial sênior do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), a cooperação ajuda a acompanhar as transformações observadas no mercado regional de drogas. “Esse projeto tem sido de grande importância para a identificação dessas novas substâncias e também das novas tendências de drogas sintéticas que estão se espalhando pela região do Cone Sul”, afirmou.
Instituído em 2025 e coordenado conjuntamente pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e pela Diretoria Técnico-Científica da Polícia Federal, o PNIDD busca integrar bases de dados, harmonizar procedimentos periciais e ampliar a capacidade de detecção de novas substâncias psicoativas.
Para o perito criminal federal Adriano Maldaner, secretário-executivo do programa, a aproximação entre profissionais e instituições também permite compartilhar soluções desenvolvidas no cotidiano dos laboratórios e reunir informações ainda fragmentadas sobre intoxicações e drogas de abuso.
“O PNIDD vem como uma cola, como uma maneira de unir essas diferentes instituições, diferentes pessoas e diferentes formas de trabalhar num objetivo comum, que é ter informações embasadas tecnicamente que façam sentido para as políticas públicas”, sintetizou.


