O perito criminal federal José Alysson D. M. Medeiros lança nesta quinta-feira (15/10), Dia dos Professores, o cordel “O Perito Criminal e o Corpo que sabia demais (Parte I – Augusta e os Legistas)”. A obra, publicada com apoio da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), presta homenagem a professores que marcaram a formação e a trajetória de profissionais ligados à ciência forense.

Dando continuidade à sua produção autoral em literatura de cordel, Alysson utiliza humor, referências literárias e linguagem popular para aproximar o leitor de temas técnicos da atividade pericial. Desta vez, o autor constrói uma narrativa que dialoga com a medicina legal, a entomologia forense, a odontologia legal e o exame de locais de crime, sempre a partir de uma abordagem lúdica e acessível.

As inspirações do cordel

A inspiração para o cordel surgiu em outubro de 2023, durante o Seminário Regional de Local de Crime, realizado em João Pessoa (PB). Na ocasião, Alysson assistiu a uma palestra da professora Janyra Costa sobre entomologia forense, com reflexões sobre a morte violenta e sobre os vestígios que podem ajudar a esclarecer as circunstâncias de um crime.

A partir desse encontro, o perito criminal federal passou a articular referências da literatura brasileira com o universo da perícia. Na apresentação do folheto, ele relata que a palestra o remeteu à poesia de Augusto dos Anjos e ao narrador póstumo de Machado de Assis, em Memórias Póstumas de Brás Cubas. Essa combinação deu origem à proposta narrativa do cordel: uma história em que o corpo observado pela ciência também parece ter algo a contar.

O resultado é uma obra que transita entre ficção, humor e conhecimento técnico, apresentando ao leitor aspectos do trabalho realizado por profissionais da área forense sem perder a cadência própria da literatura de cordel.

Homenagem aos mestres

Além das referências literárias, o cordel tem uma dimensão direta de homenagem. Alysson dedica a parte lúdica da obra a Machado de Assis e a Augusto dos Anjos, enquanto a parte técnica é dedicada a professores que contribuíram para a formação de profissionais nas áreas de local de crime, entomologia forense, medicina e odontologia legal.

Entre os homenageados estão Jesus Velho, Arthur de Vasconcelos, Susyara Medeiros, Janyra Costa, Genival Veloso, Malthus Galvão e Bianca Santiago, citados pelo autor em reconhecimento a tantos outros professores que ajudaram a construir e difundir o conhecimento forense.

Um dos nomes destacados é o do Prof. Dr. Genival Veloso de França, professor titular de Medicina Legal e reconhecido como uma das principais referências do Direito Médico no Brasil. Paraibano e pessoense como Alysson, Genival recebeu pessoalmente um exemplar do cordel e da coletânea “Perícia em Versos”. Na ocasião, presenteou o perito criminal federal com um exemplar de seu tratado “Medicina Legal”, obra de referência nacional e internacional que já ultrapassa dez edições.

O corpo, os vestígios e os especialistas

No enredo, o leitor é apresentado a uma investigação em que diferentes áreas do conhecimento são mobilizadas para compreender as circunstâncias de uma morte. A narrativa acompanha o trabalho de profissionais que, a partir da observação técnica e da interpretação científica dos vestígios, buscam esclarecer o que aconteceu.

A obra aborda, em linguagem poética, a atuação conjunta de diferentes especialidades. A entomologia forense aparece como elemento importante para a análise do intervalo pós-morte; a odontologia legal surge associada à identificação humana; e a medicina legal se apresenta como campo fundamental para a interpretação dos sinais deixados no corpo.

O cordel também reforça uma ideia recorrente na produção de Alysson: a perícia criminal federal depende de método, ciência e colaboração entre áreas do conhecimento. A verdade investigativa, nesse contexto, não nasce de impressões imediatas, mas da leitura cuidadosa dos vestígios.

Literatura de cordel e divulgação da perícia

Natural de João Pessoa (PB), José Alysson D. M. Medeiros é engenheiro civil e perito criminal federal, atuando na capital paraibana. É autor da coletânea “Perícia em Versos” e de diversos cordéis que aproximam a sociedade de temas relacionados à ciência forense, à cultura popular e ao cotidiano da atividade pericial.

O folheto foi publicado em duas versões de capa, nas cores branca e amarela. As ilustrações são assinadas por Maria Edna da Silva (Edna), artesã e xilogravurista pernambucana de Bezerros, e por Jefferson de Lima Campos, artista radicado no Rio Grande do Norte e dedicado à literatura de cordel. As xilogravuras reforçam a identidade visual da publicação e dialogam com a tradição estética do gênero.

Desenvolvido a partir de dezembro de 2023, editado em setembro de 2026 e publicado neste 15 de outubro de 2026, o cordel marca mais uma iniciativa de Alysson voltada à divulgação da perícia por meio da literatura popular.