O Instituto Nacional de Criminalística (INC) sediou, na terça-feira (12/5), a celebração dos 20 anos do SISCRIM, o Sistema Nacional de Gestão de Atividades de Criminalística. O presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Marcos Camargo, compôs a mesa de honra do evento e resumiu o que o sistema representa para a criminalística federal. “É difícil imaginar a criminalística hoje sem um sistema como esse”, afirmou.
O primeiro registro oficial do SISCRIM foi feito às 11h05 do dia 9 de maio de 2006, no Setor Técnico-Científico de Belo Horizonte. O sistema nasceu de um projeto concebido dois anos antes pelos peritos criminais federais Arnaldo Gomes dos Santos Junior, Alexandre Coelho de Almeida e Márcio Rodrigo de Freitas Carneiro. A proposta veio substituir um controle que, até então, era feito à mão, em cadernos, livros de registro e fichas avulsas, sem padronização entre as unidades e sem qualquer visão integrada da atividade pericial no país.
Vinte anos depois, os números acumulados revelam a escala do que foi construído: mais de 494 mil documentos registrados, mais de 110 mil laudos em acervo digital, mais de 1,1 milhão de movimentações auditáveis e cerca de 1,4 mil usuários ativos em 33 unidades integradas. O SISCRIM ganhou reconhecimento formal logo no início de sua trajetória, com o Prêmio de Inovação na Gestão Pública, concedido pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) em 2009.
O presidente da APCF lembrou, em sua fala, que a implantação do sistema enfrentou resistências naturais nas unidades, superadas pela competência e pelo espírito de corpo das equipes envolvidas. Marcos Camargo tomou posse na Polícia Federal em 1999 e acompanhou de perto a transição do registro manual para o ambiente informatizado. Para ele, o que a celebração revela vai além da tecnologia. “Fica um dia de orgulho e de alegria para toda a criminalística, para a Polícia Federal e, de certa maneira, para toda a segurança pública”, declarou.
O evento também abriu espaço para discussão sobre o presente e o futuro da atividade pericial. Os participantes abordaram o avanço da inteligência artificial e seus impactos sobre a produção da prova técnica, reforçando que a criminalística federal precisa continuar na vanguarda da inovação para responder aos novos desafios da persecução penal.
Tecnologia forense a serviço da Justiça
Desenvolvido integralmente em software livre, o SISCRIM é mantido por peritos criminais federais desde sua origem, característica que seus idealizadores sempre apontaram como decisiva para a aderência do sistema às necessidades reais da área. Ao longo de duas décadas, incorporou assinatura digital, integração com sistemas como Simba, Inteligeo, eProc e SEI, e geração automática de modelos de laudo. Em 2023, a Instrução Normativa DG/PF nº 270 formalizou a obrigatoriedade de interoperabilidade contínua do SISCRIM com o Sistema Oficial de Polícia Judiciária e o SINARM.
O sistema é hoje o núcleo central de preservação da cadeia de custódia de vestígios na Polícia Federal. Cada item recebe código de barras no momento da coleta, e toda a sua movimentação é registrada e auditável, do lacramento e deslacramento ao fracionamento, consumo em exames e transporte entre unidades.
Também compuseram a mesa de honra o Diretor Técnico-Científico da Polícia Federal, Roberto Reis Monteiro Neto; a Corregedora-Geral da Polícia Federal, Aletea Vega Marona Kunde; o Diretor do Instituto Nacional de Criminalística, Carlos Eduardo Palhares Machado; o Chefe da Divisão de Padrões e Dados da Criminalística, Odair de Souza Gloria Junior; o Chefe do Setor de Tecnologia da Informação e Comunicação, Jose Henrique Lopes Linhares da Silva; o perito criminal federal Geraldo Bertolo, primeiro Diretor Técnico-Científico da PF a acompanhar a concepção do sistema, representando os ex-diretores da área; e o perito criminal federal Márcio Rodrigo de Freitas Carneiro, Chefe do Setor Técnico-Científico de São Paulo e desenvolvedor original do SISCRIM.


