Tecnologia da perícia criminal ajuda a desvendar caso de homicídio

Tecnologia da perícia criminal ajuda a desvendar caso de homicídio

O uso da técnica de análise de microvestígios por peritos criminais estaduais e federais, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), possibilitou a apuração de um caso de homicídio, no Paraná. Com os laudos periciais, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) acusou o policial militar Diego Costa de ter matado a ex-esposa Andriely, desaparecida em maio deste ano. Um mês após o sumiço, o corpo foi encontrado na Serra da Graciosa, na Região Metropolitana de Curitiba.

A jovem foi vista pela última vez enquanto conversava com um amigo, por uma chamada de vídeo, de dentro do apartamento em que morava. Apesar das imagens da câmera de segurança do prédio de Andriely terem flagrado Diego junto a ex-esposa no dia do crime, o laudo pericial do sangue encontrado no carro suspeito foi inconclusivo, pois não havia marcas de violência na vítima que justificassem a presença do material orgânico.

Entretanto, por meio do emprego de protocolos de coleta, preservação e análises específicas (mineralógicas, físicas e químicas) foi possivel identificar que os vestígios de lama coletados no carro do agressor eram similares às amostras de terra do local onde a vítima foi encontrada. Ainda, as marcas de pneu vistas na Serra da Graciosa foram compatíveis com os pneus do carro de Diego.

A análise por microvestígicos

A técnica de análise por microvestígios de solo é desenvolvida há 4 anos pelos Peritos Criminais Federais em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR). Financiada pela CAPES, o projeto de pesquisa faz parte do Programa Pro-Forenses da universidade e possibilita o estudo de resíduos microscópicos para fins forenses, objetivando fornecer ainda mais qualidade de atendimento a locais de crimes.

Ao serem acionados, um perito criminal do Instituto de Criminalística de Curitiba (IC-PR), um professor do Departamento de Solos e uma aluna de Doutorado foram à Serra da Graciosa para coleta de material e contaram com o apoio de peritos criminais federais do Paraná, especializados em análise de solo e cuja equipe é formada por geólogos, químicos e agrônomos.

Relembre o caso

De acordo com o amigo que conversava com a vítima minutos antes do crime, Andriely comentou que estava com medo, pois sentia que alguém tinha invadido sua casa. Durante a ligação, a jovem teria se assustado com a chegada de uma pessoa no cômodo, desaparecendo em seguida. Interrogado, Diego confessou que encontrou com a ex-esposa após o cancelamento da chamada, mas que a deixou em um terminal de ônibus em Colombo, região metropolitana de Curitiba, negando presença no local do crime.

Segundo a polícia, a família recebeu mensagens do celular da vítima, mas desconfiou que não era a filha quem estaria fazendo contato. O acusado também teria utilizado o aparelho para descobrir o endereço do atual namorado de Andriely. Apesar dos sinais de violência por asfixia mecânica, a análise não pode concluir a causa da morte, já que o corpo foi encontrado um mês após falecimento.