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Representantes da perícia criminal federal participam de encontro internacional da INTERPOL sobre crimes minerários

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A diretora adjunta de Comunicação Social da APCF, Mariana Mota Ferraz de Oliveira, e o perito criminal federal Erich Adam Moreira Lima participaram, nos dias 28 e 29 de maio de 2026, em Lyon, na França, da 11ª Reunião da Informal Law Enforcement Network on Minerals Crime, encontro internacional dedicado ao enfrentamento de crimes minerários e à desarticulação de cadeias ilegais de fornecimento de recursos minerais.

Com o tema “Disrupting Illegal Mineral Supply Chains”, o evento reuniu representantes de diferentes países, organismos internacionais, forças policiais, instituições de fiscalização e especialistas para discutir estratégias de cooperação, investigação e prevenção relacionadas à mineração ilegal, ao contrabando de ouro e minerais críticos, à lavagem de ativos e aos impactos ambientais e econômicos dessas atividades criminosas.

Durante a programação, o perito criminal federal Erich Adam Moreira Lima apresentou a palestra “Clean Gold Programme and INTERPOL – Update on the Forensic Partnership”, em painel dedicado ao uso da ciência e da tecnologia para detectar e prevenir crimes minerais. A sessão abordou metodologias científicas, ferramentas tecnológicas, rastreabilidade e planejamento operacional aplicados ao combate à mineração ilegal.

A diretora adjunta de Comunicação Social da APCF, Mariana Mota Ferraz de Oliveira, também participou das atividades do encontro e contribuiu em uma sessão sobre fluxos minerais ilegais a partir da América Latina, juntamente com o delegado de Polícia Federal Pedro Henrique dos Santos Duarte, de Roraima, que fez uma apresentação sobre o enfrentamento à mineração ilegal no estado.

A programação do encontro também discutiu os desafios enfrentados por países da América Latina no combate à mineração ilegal, com destaque para dinâmicas transnacionais, fluxos financeiros ilícitos, contrabando de minerais e uso de tecnologias para apoiar ações de detecção, rastreabilidade e fiscalização.

A participação brasileira no evento integra um esforço de cooperação internacional voltado ao aprimoramento de metodologias investigativas e periciais aplicadas a crimes minerais. No contexto da perícia criminal federal, o tema envolve a produção de prova técnica, a identificação da origem de materiais, a análise de cadeias de circulação e o apoio científico a investigações relacionadas à mineração ilegal.

Forensic Pitch encerra III Seminário APCF com showcase de projetos de IA aplicados à perícia

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O III Seminário APCF foi encerrado nesta quarta-feira (10), no Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, com uma programação voltada exclusivamente a peritos criminais federais. O segundo dia do evento teve como destaque o Forensic Pitch, showcase de projetos de inteligência artificial desenvolvidos por servidores de diferentes áreas e unidades da Polícia Federal.

Realizado pela Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) e pela Fundação Justiça pela Ciência, o seminário deste ano teve como tema “Inteligência Artificial e o Futuro da Persecução Penal” e reuniu, ao longo de dois dias, peritos criminais federais, magistrados, delegados, pesquisadores e especialistas para discutir os impactos da IA na produção da prova técnica, na investigação criminal e no sistema de Justiça.

A programação desta quarta-feira começou com o workshop “Laboratório de IA: Nivelamento estratégico e impacto social da IA na segurança pública”. A atividade foi conduzida pelo perito criminal federal Mateus Polastro (DPDCE/DITEC), que apresentou aos participantes os objetivos do Laboratório de Inteligência Artificial Aplicada à Criminalística, suas possibilidades de atuação e as formas pelas quais os peritos podem contribuir para o desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicadas à atividade pericial.

O encontro também promoveu uma discussão mais ampla sobre o uso da inteligência artificial na segurança pública e na criminalística, com atenção a aspectos técnicos, éticos, legais e institucionais. A proposta foi nivelar conceitos, apresentar caminhos de cooperação e estimular o uso responsável, seguro e tecnicamente qualificado de ferramentas de IA no trabalho pericial.

No período da tarde, o Forensic Pitch reuniu projetos em diferentes etapas de desenvolvimento, com aplicações em áreas como análise documental, investigação de crimes cibernéticos, lavagem de dinheiro, meio ambiente, identificação de madeiras, perícia de informática, documentoscopia e processamento de imagens.

A mostra foi idealizada como um espaço de inovação, troca de experiências e compartilhamento de conhecimentos entre servidores que já desenvolvem ou testam soluções baseadas em inteligência artificial. As apresentações permitiram aos participantes conhecer iniciativas em andamento, discutir desafios comuns e refletir sobre critérios de validação, rastreabilidade, auditabilidade, segurança da informação e governança no uso dessas tecnologias.

O showcase evidenciou o avanço de iniciativas voltadas à aplicação da IA em diferentes frentes da perícia criminal federal. Ao reunir projetos em desenvolvimento, experiências práticas e debates sobre validação, rastreabilidade e governança, a atividade reforçou a importância de combinar inovação tecnológica, rigor científico, confiabilidade dos resultados e responsabilidade humana na interpretação dos dados.

Seminário reforçou importância de capacitação e troca científica

O encerramento consolidou os principais debates do seminário, iniciado na terça-feira (9) com a formalização do Laboratório de Inteligência Artificial Aplicada à Criminalística e com painéis sobre crimes sintéticos, deepfakes, ataques adversariais, inteligência artificial explicável, governança, soberania de dados, cadeia de confiança e validação de ferramentas aplicadas à perícia.

Para o presidente da APCF, perito criminal federal Marcos Camargo, o seminário reforça o compromisso da Associação e da Fundação Justiça pela Ciência com a capacitação contínua, a troca de experiências e a construção coletiva de conhecimento científico.

“Mais uma vez, conseguimos reunir peritos criminais federais, pesquisadores e especialistas para discutir temas que já impactam a produção da prova técnica e o sistema de Justiça. A inteligência artificial impõe desafios técnicos, éticos e legais, e a perícia criminal federal precisa estar presente nesse debate, com responsabilidade, método e qualificação”, afirmou.

Confira a cobertura completa do III Seminário APCF – Inteligência Artificial e o Futuro da Persecução Penal:

III Seminário APCF: especialistas defendem uso responsável da IA para otimizar perícias e fortalecer diálogo com o Judiciário

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O uso da inteligência artificial na investigação criminal, na perícia e no sistema de Justiça deve ampliar a capacidade de análise do Estado, mas sem substituir a decisão humana, a fundamentação técnica e a rastreabilidade dos procedimentos. A avaliação foi compartilhada por especialistas durante a Mesa 2 do III Seminário APCF, realizada na terça-feira (9), na sede do Instituto Nacional de Criminalística (INC/DITEC/PF), em Brasília, com transmissão online.

Com o tema “Inteligência Artificial Explicável (XAI): Otimização Pericial e Diálogo com o Judiciário”, a mesa integrou o Eixo Oportunidade do evento e discutiu como ferramentas de IA podem apoiar a triagem de grandes volumes de dados, a análise de vestígios digitais, a produção de laudos e a tomada de decisões no sistema de Justiça, desde que utilizadas com governança, transparência, validação e responsabilidade humana.

O debate foi moderado pelo perito criminal federal Itamar Almeida de Carvalho, responsável pelo Laboratório de Inteligência Artificial. Participaram da mesa a delegada da Polícia Federal Rafaella Vieira Lins Parca, da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos (DCIBER); o magistrado Daniel Ribeiro Surdi de Avelar, magistrado auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ); e o advogado Matheus Puppe, especialista em Direito Digital e representante da OAB Nacional.

IA como apoio à investigação

Na primeira exposição, a delegada Rafaella Vieira Lins Parca apresentou os desafios enfrentados pela Polícia Federal no tratamento de notícias de crimes relacionados ao abuso sexual de crianças e adolescentes. Segundo ela, a área lida com um volume crescente de informações provenientes de relatórios automatizados, comunicações de inteligência financeira, ferramentas de monitoramento, cooperação internacional e canais institucionais de denúncia.

Segundo ela, a Polícia Federal recebe, em média, 2,6 mil relatórios por dia relacionados a suspeitos brasileiros em casos de abuso sexual de crianças e adolescentes. A expectativa é que o volume chegue a cerca de 1 milhão de relatórios em 2026. A delegada também destacou os impactos do chamado ECA Digital, que passou a obrigar provedores que prestam serviços no Brasil, ou que oferecem serviços potencialmente acessíveis a crianças e adolescentes, a reportar casos relacionados à exploração, abuso sexual, sequestro e aliciamento de crianças e adolescentes a uma autoridade central nacional. Essa função ficará a cargo da Polícia Federal, por meio do Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente, vinculado à DCIBER.

O aumento do volume de dados não vem acompanhado de crescimento proporcional da capacidade humana de processamento. Por isso, uma das preocupações centrais da Polícia Federal é desenvolver metodologias de priorização capazes de identificar quais casos exigem resposta mais urgente.

A delegada explicou que a PF tem trabalhado com sistemas de pontuação e priorização de casos, construídos a partir de critérios definidos por policiais experientes. Entre os fatores considerados estão a gravidade da conduta, a idade da vítima, a convivência do agressor com a criança e outros elementos capazes de indicar risco atual ou iminente.

O uso da IA pelo crime

A delegada alertou, no entanto, que os criminosos têm utilizado ferramentas de IA de forma cada vez mais sofisticada. Entre os exemplos citados estão a criação de imagens de abuso sexual infantil, a manipulação de imagens para nudez artificial, o uso de bots em aliciamento de crianças e adolescentes e a possibilidade de ataques por injeção indireta de prompt.

Ela chamou atenção para o uso indevido de ferramentas comerciais em casos sensíveis, especialmente quando documentos policiais, dados de vítimas ou imagens de abuso sexual são inseridos em plataformas externas sem controle adequado. Rafaella também citou riscos como viés algorítmico, inexplicabilidade e alucinações. Para ela, a IA deve ser usada como ferramenta de suporte, sempre com decisão humana ao final do processo.

Advocacia, sigilo e riscos do mau uso

Na sequência, o advogado Matheus Puppe abordou a perspectiva da advocacia sobre explicabilidade, segurança e responsabilidade no uso de inteligência artificial. Para ele, o principal risco não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é utilizada.

“Eu não tenho medo da IA, eu tenho medo do ser humano”, afirmou. Segundo Puppe, a inteligência artificial é uma ferramenta sofisticada, mas, como qualquer ferramenta, pode ser usada de forma positiva ou prejudicial.

O advogado destacou que ainda há desconhecimento sobre as implicações técnicas e jurídicas do uso de ferramentas generativas. Um dos principais problemas, segundo ele, é a inserção de documentos confidenciais, informações sigilosas ou dados pessoais em sistemas comerciais sem avaliação dos termos de uso, das garantias de proteção e da finalidade do tratamento.

Puppe também tratou das chamadas alucinações ou confabulações da IA, que já resultaram em petições e documentos jurídicos com informações falsas, precedentes inexistentes ou fundamentações equivocadas. Em muitos casos, avaliou, o problema decorre menos de má-fé e mais de falta de diligência no uso da tecnologia.

Outro ponto abordado foi o risco de ataques por prompt injection em processos judiciais. O advogado explicou que instruções ocultas podem ser inseridas em documentos, metadados ou arquivos para influenciar sistemas de IA utilizados por tribunais, escritórios ou instituições públicas. Para ele, esse tipo de conduta deve ser tratado como má-fé e combatido com ferramentas de detecção, sanções adequadas e mecanismos de dupla validação.

Ele também defendeu a centralidade humana na aplicação da inteligência artificial. Para Puppe, a IA pode auxiliar advogados, juízes, peritos e investigadores, mas não deve substituir o raciocínio profissional, a revisão crítica e a responsabilidade de quem assina o documento ou toma a decisão.

Prova digital e exigência de explicabilidade

O magistrado Daniel Ribeiro Surdi de Avelar apresentou discussões em andamento no Conselho Nacional de Justiça sobre provas digitais, cadeia de custódia e uso de inteligência artificial no Judiciário. Ele afirmou que a prova digital passou a ocupar papel central em processos judiciais, criminais e cíveis, mas que a legislação brasileira sobre cadeia de custódia foi pensada originalmente para um mundo analógico.

Segundo Avelar, uma minuta de resolução em discussão no CNJ busca oferecer diretrizes aos magistrados sobre busca e apreensão de provas digitais, fornecimento de dados por provedores, produção de prova pericial, fiabilidade da prova digital, circulação de vestígios entre órgãos jurisdicionais e tratamento de provas vindas de outros juízos ou de outros países.

O magistrado ressaltou que a proposta não pretende dizer ao perito como periciar, mas elevar o nível de exigência sobre a explicabilidade e a auditabilidade do que foi feito. A minuta, segundo ele, orienta que o laudo explicite metodologia empregada, ferramentas ou aplicações utilizadas, parâmetros técnicos adotados, limitações metodológicas e margens de incerteza do exame. Avelar também destacou a importância de preservar a autonomia do perito, especialmente em situações de campo, e de reconhecer as diferenças entre vestígios físicos e digitais.

O magistrado afirmou que a cadeia de custódia deve ser vista como meio para assegurar a fiabilidade da prova. Segundo ele, a regularidade dos procedimentos deve ser examinada à luz da finalidade de garantir confiança no meio de prova apresentado ao processo.

O representante do CNJ também abordou iniciativas voltadas ao uso de inteligência artificial no Judiciário. Uma das propostas mencionadas é o desenvolvimento de ferramentas capazes de auxiliar magistrados na identificação de precedentes obrigatórios, súmulas vinculantes, resoluções do CNJ e entendimentos jurisprudenciais relevantes antes da prolação de decisões.

Ferramentas periciais, validação e limites da IA

Durante o debate, Itamar Almeida de Carvalho destacou que a inteligência artificial já vem sendo estudada e aplicada em diferentes áreas da perícia federal, não apenas em crimes cibernéticos. Segundo ele, há iniciativas voltadas à identificação de madeiras protegidas por lei, à análise de grandes volumes de documentos em perícias contábeis, ao apoio em casos de erro médico e à identificação de elementos em exames documentoscópicos.

Para o perito, o ponto central é compreender em que etapa do processo a IA será utilizada e qual impacto essa ferramenta pode ter na conclusão pericial. Em aplicações de triagem documental, por exemplo, a IA pode apenas organizar informações e indicar caminhos de análise. Em outros casos, como identificação de espécies, imagens ou padrões, a ferramenta pode ter influência mais direta sobre a conclusão do laudo.

Itamar defendeu que, quanto maior o impacto da IA no resultado pericial, maior deve ser a exigência de documentação, validação e explicabilidade. Entre os elementos relevantes estão o modelo utilizado, a versão da ferramenta, a taxa de erro, o método de validação, os limites conhecidos e eventuais vieses. Ele também mencionou que a Polícia Federal discute uma minuta de portaria para normatizar o uso de inteligência artificial na perícia, com atenção à validação de modelos, classificação das ferramentas conforme impacto no laudo e indicação explícita, quando necessário, das etapas em que a IA foi utilizada.

A discussão integrou a programação do III Seminário APCF, realizado pela Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) e pela Fundação Justiça pela Ciência, com o tema “Inteligência Artificial e o Futuro da Persecução Penal”.

O evento realizado pela APCF acontece na terça-feira (9/6) e quarta-feira (10/6) e reúne peritos criminais federais, magistrados, delegados, pesquisadores e especialistas para discutir os impactos da IA na produção da prova técnica, na investigação criminal e no sistema de Justiça.

As atividades do segundo dia serão voltadas ao público interno da Polícia Federal e inclui a inauguração do Laboratório de IA da Polícia Federal, seguida de workshop estratégico sobre o impacto social da IA na segurança pública e do showcase Forensic Pitch, mostra de projetos desenvolvidos por servidores de todo o Brasil com o uso de IA.

III Seminário APCF debate como a perícia pode enfrentar fraudes geradas por inteligência artificial

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A capacidade de identificar conteúdos falsificados por inteligência artificial e proteger a confiabilidade da prova pericial esteve no centro dos debates do Eixo Desafio do III Seminário APCF, intitulado “Ataques Adversariais e Forense de Vestígios Sintéticos: A Ciência contra a Fraude”. Especialistas discutiram como a evolução dos deepfakes, das identidades sintéticas e dos ataques a sistemas de IA tem criado novos desafios para a investigação criminal, exigindo métodos cada vez mais sofisticados para verificar a autenticidade de imagens, vídeos, áudios e documentos digitais.

O debate foi realizado nesta terça-feira (9/6), na sede do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, com transmissão online. Moderada pelo perito criminal federal Mateus de Castro Polastro, a mesa reuniu representantes da Polícia Civil do Distrito Federal, da iniciativa privada e da academia para discutir os impactos dos conteúdos sintéticos sobre a produção da prova técnica, os riscos associados ao uso malicioso da inteligência artificial e as estratégias para fortalecer a confiança nas evidências digitais.

Ao abrir o debate, Polastro destacou que os vestígios digitais estão presentes em praticamente todos os tipos de investigação e que a popularização de ferramentas generativas mudou o grau de exigência técnica imposto à perícia. Segundo ele, já não basta recuperar um vídeo, áudio, imagem ou documento apagado de um celular ou computador. É preciso compreender se aquele conteúdo corresponde a um registro autêntico ou se foi gerado artificialmente.

“Hoje em dia a gente tem uma nova camada de complexidade, que é exatamente saber se esses vestígios digitais — voz, vídeo, imagem e outros — são reais ou não. Não basta saber que estavam na máquina ou no celular de uma pessoa. É preciso começar a entender se aquilo é real ou se foi gerado sinteticamente”, afirmou.

A mesa contou com a participação do perito criminal da Polícia Civil do Distrito Federal Leandro, responsável pelo núcleo de inteligência artificial do Instituto de Criminalística da PCDF; do especialista em dados e inteligência artificial da Dell Brasil, Cláudio Pinheiro; e do professor Iwens Gervazio Ceni Júnior, da Universidade Federal de Goiás (UFG).

IA, crimes sintéticos e ataques contra sistemas

Na primeira exposição, Leandro apresentou a experiência do núcleo de inteligência artificial criado em 2023 no Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Distrito Federal. Segundo ele, a unidade foi estruturada para estudar, desenvolver e aplicar sistemas baseados em IA em favor da criminalística, tanto no apoio direto aos exames periciais quanto na elaboração de laudos, na gestão interna e no suporte a investigações.

Entre os exemplos citados, o perito mencionou o uso de IA para análise de grandes volumes documentais. Em um dos casos, o núcleo recebeu um processo em PDF com cerca de 50 mil páginas, realizou a separação do material, aplicou reconhecimento óptico de caracteres e transformou o conteúdo em texto pesquisável, permitindo a extração de informações relevantes para a investigação. Leandro ressaltou que os sistemas são executados internamente, sem envio de dados para nuvens externas. Ele afirma que essa preocupação é essencial quando se trata de informações protegidas por sigilo e relacionadas a investigações criminais.

A apresentação também tratou do conceito de conteúdo gerado por IA e deepfake, a partir de referências internacionais como o AI Act europeu. O perito observou que, embora ainda haja discussões conceituais sobre o tema, a definição mais relevante para a perícia envolve conteúdos de imagem, áudio ou vídeo gerados ou manipulados por inteligência artificial, capazes de parecer falsamente autênticos.

O perito também apresentou um projeto em fase inicial desenvolvido pelo núcleo da PCDF para classificar imagens e indicar, por meio de mapas de calor, as regiões com maior probabilidade de manipulação. A ideia é que o modelo não apenas aponte se há indícios de geração ou alteração por IA, mas também demonstre quais áreas da imagem sustentaram a classificação.

Soberania de dados e infraestrutura segura

Na sequência, Cláudio Pinheiro apresentou a visão da Dell Brasil sobre a implementação corporativa e governamental da inteligência artificial. O especialista afirmou que a empresa tem trabalhado com o conceito de “fábrica de IA para governo”, estruturado para permitir o uso de diferentes naturezas de dados, priorizar ecossistemas abertos, reduzir custos com licenças e maximizar o uso de infraestrutura computacional. Ele destacou que, no centro dessa discussão, estão as GPUs, hoje um dos recursos mais demandados do mercado de tecnologia.

Para Cláudio, a adoção de IA pelo poder público deve combinar capacidade técnica, segurança e planejamento de longo prazo. Ele diz que as instituições públicas não conseguem simplesmente ampliar orçamento de um dia para o outro, o que torna necessário pensar em modelos sustentáveis, capazes de operar em ambiente local, em nuvem ou de forma híbrida.

O especialista também chamou atenção para a soberania de dados e de modelos de IA. Segundo ele, os países têm buscado desenvolver modelos próprios, nuvens regionais e estruturas capazes de reduzir a dependência de fornecedores externos. Em sua avaliação, modelos treinados por instituições públicas também devem ser protegidos, pois incorporam dados, métodos e formas de atuação específicas.

Pesquisa, Justiça e aplicações práticas

O professor Iwens Gervazio Ceni Júnior apresentou experiências desenvolvidas no Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da Universidade Federal de Goiás. Criado em 2019, o centro reúne universidade, governo e empresas em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em IA.

Segundo o professor, o CEIA já fomentou centenas de milhões de reais em projetos e reúne pesquisadores, empresas parceiras e alunos do primeiro bacharelado em Inteligência Artificial do Brasil. O curso foi planejado em 2019 e lançado no Sisu em 2020. A proposta, de acordo com ele, é aproximar a formação acadêmica de projetos reais desde os primeiros períodos.

Iwens afirmou que o centro atua em diferentes áreas, como saúde, segurança, mobilidade, energia, comunicação e Justiça. Entre os exemplos apresentados, citou projetos de melhoria de mídias antigas, aplicações em carros autônomos, robôs humanoides e soluções para análise de imagens e documentos. Na área de segurança e Justiça, o professor destacou uma proposta desenvolvida a partir de demanda da OAB-DF para tornar mais seguro o parlatório virtual entre advogados e presos. A medida envolve técnicas de visão computacional capazes de verificar se os participantes estão olhando para a tela, identificar desvios de olhar e gerar relatórios e registros de sessão.

O professor também mencionou o desenvolvimento de soluções para identificação de desinformação, como ferramenta contratada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás para avaliar mensagens de áudio ou texto compartilhadas em redes sociais. Segundo ele, o sistema não declara de forma absoluta se determinado conteúdo é verdadeiro ou falso, mas fornece indicativos e direcionamentos sobre a probabilidade de se tratar de mensagem enganosa.

A discussão integrou a programação do III Seminário APCF, realizado pela Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) e pela Fundação Justiça pela Ciência, com o tema “Inteligência Artificial e o Futuro da Persecução Penal”.

O evento realizado pela APCF acontece nesta terça-feira (9/6) e quarta-feira (10/6) e reúne peritos criminais federais, magistrados, delegados, pesquisadores e especialistas para discutir os impactos da IA na produção da prova técnica, na investigação criminal e no sistema de Justiça.

As atividades do segundo dia serão voltadas ao público interno da Polícia Federal e inclui a inauguração do Laboratório de IA da Polícia Federal, seguida de workshop estratégico sobre o impacto social da IA na segurança pública e do showcase Forensic Pitch, mostra de projetos desenvolvidos por servidores de todo o Brasil com o uso de IA.

III Seminário APCF: perito criminal federal Arnaldo Gomes defende cadeia de confiança para a prova material na era da IA

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A prova material se torna ainda mais necessária em um cenário marcado pela expansão da inteligência artificial generativa, pela produção de conteúdos sintéticos e pela erosão da confiança pública. A avaliação foi feita pelo perito criminal federal Arnaldo Gomes dos Santos Junior durante a Aula Magna do III Seminário APCF, realizada nesta terça-feira (9), na sede do Instituto Nacional de Criminalística (INC/DITEC/PF), em Brasília, com transmissão online.

Com o tema “A Fronteira da Verdade: A Prova Material na Era da Inteligência Artificial e do Crime Sintético”, Arnaldo defendeu que a perícia avance para uma noção ampliada de “cadeia de confiança”. Segundo ele, a cadeia de custódia continua essencial para preservar a autenticidade e a integridade dos vestígios, mas os desafios impostos pela IA exigem também registros metodológicos, rastreabilidade, transparência, auditoria e capacidade de demonstrar o raciocínio técnico-científico que sustenta cada conclusão.

“Não basta dizer o resultado. É preciso ser capaz de comprovar e convencer a respeito desse resultado”, afirmou. Para o perito, a inteligência artificial desloca a fronteira do que é socialmente aceito como verdade, especialmente em um contexto no qual áudio, vídeo, texto, identidade, autoria e comportamento podem ser sintetizados com alto grau de verossimilhança. “A prova material fica cada vez mais necessária. O método fica mais complexo e mais exigente”, destacou.

Ao longo da apresentação, Arnaldo abordou a inteligência artificial a partir de três dimensões principais: como ferramenta de apoio à perícia, como ameaça quando utilizada por criminosos ou de forma inadequada, e como parte da resposta estatal aos novos riscos tecnológicos. Ele ressaltou que a IA pode ampliar a capacidade de análise, organização, pesquisa e processamento de dados, mas sua adoção na Justiça deve ocorrer com governança, validação técnica, responsabilidade humana e transparência.

Entre as possibilidades positivas, citou sistemas baseados em acervos confiáveis, capazes de responder a perguntas a partir de bases documentais previamente selecionadas, com indicação de fontes e possibilidade de conferência. Também mencionou aplicações em grandes volumes de dados, extração de informações estruturadas, segurança cibernética, investigação de crimes digitais e apoio à análise de artefatos maliciosos.

No entanto, ponderou que o uso da IA no sistema de Justiça não pode se apoiar em soluções mágicas ou caixas-pretas. “A inteligência artificial pode aumentar a capacidade da Justiça, mas tudo depende de governança e responsabilidade humana”, pontuou.

Crimes sintéticos e riscos para a persecução penal

A parte central da Aula Magna foi dedicada aos riscos associados ao uso malicioso ou descuidado da tecnologia. Arnaldo abordou a evolução dos deepfakes, a criação de identidades sintéticas, o uso de avatares falsos, a automação de golpes, a personalização de fraudes com dados vazados e a produção de documentos, áudios e vídeos capazes de enganar pessoas e sistemas.

O perito alertou que a combinação entre vazamentos de dados, automação e IA generativa reduz o custo de golpes personalizados e aumenta a dificuldade de verificação individual de conteúdos. Nesse ambiente, fraudes antes genéricas e pouco sofisticadas passam a ganhar aparência de legitimidade, com mensagens, vozes, imagens e documentos mais convincentes.

Arnaldo também tratou de ataques contra sistemas de IA, como a chamada injeção de prompt, em que instruções maliciosas são inseridas em documentos ou ambientes digitais para induzir o modelo a produzir respostas enviesadas ou incorretas. O tema foi relacionado a casos recentes envolvendo documentos jurídicos e ao uso de IA em ambientes sensíveis.

Outro ponto de atenção foi a utilização inadequada de ferramentas generativas para contornar métodos periciais. Ele citou exemplos em que a tecnologia foi empregada sem validação, transparência ou estabilidade técnica para produzir conclusões sobre vestígios, prática que, segundo ele, representa risco grave para a investigação e para o devido processo. “Não é assim que se utiliza IA. Na Justiça, ela deve ser tratada como um sistema crítico”, afirmou.

Perícia como guardiã da confiança pública

Na parte final da aula, Arnaldo enfatizou que a inteligência artificial não reduz a importância da perícia. Ao contrário, em um mundo marcado por evidências sintéticas, a criminalística se torna ainda mais central.

Para ele, cabe à perícia comprovar, explicar e sustentar tecnicamente as conclusões apresentadas ao sistema de Justiça. Esse papel exige atualização permanente, domínio metodológico e capacidade de lidar com tecnologias que evoluem em ritmo acelerado.

O palestrante também chamou atenção para o impacto da desinformação e da manipulação sintética sobre a confiança nas instituições, na imprensa, nos governos e nas relações sociais. Em sua avaliação, a perícia criminal federal tem papel estratégico na defesa da verdade material e na preservação da confiança pública.

“As ameaças são muitas. Há o conteúdo sintético, o crime automatizado, o envenenamento da IA, as alucinações e o mau uso da tecnologia por incompetência ou ignorância. Tudo isso ocorre em um cenário de erosão da confiança”, afirmou.

Ao encerrar a apresentação, Arnaldo reforçou que o avanço da inteligência artificial exige da criminalística uma postura ativa, crítica e tecnicamente rigorosa. Para ele, a resposta da perícia deve combinar inovação, método, transparência e responsabilidade, de modo a garantir que a tecnologia seja utilizada a serviço da Justiça e da sociedade.

Aula Magna integrou a programação do III Seminário APCF

A Aula Magna integrou a programação do primeiro dia do III Seminário APCF, realizado pela Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) e pela Fundação Justiça pela Ciência, com o tema “Inteligência Artificial e o Futuro da Persecução Penal”. O evento reúne peritos criminais federais, magistrados, delegados e especialistas para debater os impactos da IA na produção da prova técnica e no sistema de Justiça.

Perito criminal federal e mestre em Engenharia de Software, Arnaldo Gomes dos Santos Junior tem 35 anos de experiência em tecnologia, com atuação no Banco Central, na docência universitária e em crimes cibernéticos na Interpol. Sua trajetória é marcada pelo trabalho em inteligência artificial, segurança da informação e cooperação internacional no enfrentamento aos crimes cibernéticos.

III Seminário APCF é aberto com formalização do Laboratório de IA Aplicada à Criminalística

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Teve início nesta terça-feira (9), na sede do Instituto Nacional de Criminalística (INC/DITEC/PF), em Brasília, o III Seminário APCF, com o tema “Inteligência Artificial e o Futuro da Persecução Penal”. Realizado pela Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) e pela Fundação Justiça pela Ciência, o evento reuniu cerca de 200 participantes, entre público presencial e online, para debater os impactos da inteligência artificial na produção da prova técnica e no sistema de Justiça.

A abertura foi marcada pela assinatura do ato de formalização da criação do Laboratório de Inteligência Artificial Aplicada à Criminalística do Instituto Nacional de Criminalística. A iniciativa reforça a atuação da criminalística federal no desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas ao uso responsável, seguro e tecnicamente qualificado da inteligência artificial em exames periciais.

Em sua fala, o presidente da APCF, perito criminal federal Marcos Camargo, destacou o papel institucional da entidade na promoção de debates, ações de capacitação e iniciativas voltadas ao fortalecimento da perícia criminal. Segundo ele, a Associação, em parceria com a Polícia Federal, a DITEC, o INC e a Fundação Justiça pela Ciência, tem ampliado sua atuação na realização de eventos técnicos e científicos voltados à criminalística e à persecução penal.

Camargo também chamou atenção para a necessidade de inserir a perspectiva forense no debate público sobre inteligência artificial. Para o presidente da APCF, as discussões sobre regulação da IA ainda exploram pouco os impactos da tecnologia sobre a produção da prova, a persecução penal e a atividade pericial.

“É importante que a perícia criminal federal some voz a esse processo, contribuindo para a construção de um caminho ético, responsável e tecnicamente qualificado para o uso da inteligência artificial”, afirmou. Para Camargo, o seminário deve produzir subsídios relevantes para aprimorar o debate junto ao Congresso Nacional, ao sistema de Justiça e à sociedade.

Ainda durante a abertura, o perito criminal federal Itamar Almeida de Carvalho destacou que a criação do laboratório busca aproximar diferentes áreas da perícia criminal federal das ferramentas de inteligência artificial.

“O objetivo é reunir especialistas em inteligência artificial e peritos das áreas finalísticas, que conhecem profundamente os exames, as demandas e as necessidades de cada especialidade, para criar ferramentas capazes de tornar o trabalho pericial mais ágil, sem abrir mão da qualidade e da confiabilidade dos resultados”, afirmou.

O perito criminal federal Mateus Polastro ressaltou que a inteligência artificial já faz parte do cotidiano de diferentes setores, mas precisa ser tratada com atenção especial no contexto da perícia e da Justiça. Para ele, o seminário ocorre em um momento importante, justamente quando a criminalística federal se organiza para discutir critérios, limites e possibilidades de uso da IA em exames periciais.

“Nós, como peritos criminais federais e participantes do sistema de Justiça, precisamos olhar para a IA com outros olhos. Ela pode ser uma ferramenta de produtividade, mas é preciso conhecer a ferramenta que se tem nas mãos”, destacou. Polastro também lembrou que a IA não resolve todos os problemas e que cada solução deve ser avaliada de acordo com sua finalidade, estratégia, limitações e riscos.

O diretor do Instituto Nacional de Criminalista, Carlos Eduardo Palhares, que também representou a Diretoria Técnico-Cientifica da Polícia Federal e a Direção-Geral da Polícia Federal, destacou a importância de ferramentas tecnológicas capazes de ampliar a produtividade sem comprometer o rigor científico da atividade pericial. Em sua fala, ele lembrou que a criminalística trabalha sob a pressão crescente por respostas mais rápidas, mas que o tempo da ciência e da técnica precisa ser respeitado.

Palhares afirmou que a inteligência artificial pode contribuir para a construção de “atalhos seguros” no trabalho pericial, desde que utilizada com método, responsabilidade e validação adequada. O diretor do INC também ressaltou que a inovação deve estar a serviço da qualidade da prova técnica e do fortalecimento da atuação da Polícia Federal.

Programação aborda desafios da IA para a prova técnica

A programação do primeiro dia do evento terá, ainda, aula magna do perito criminal federal Arnaldo Gomes dos Santos, ex-Oficial de Estratégia e Alcance em Crimes Cibernéticos da Interpol, com o tema “A fronteira da verdade: a prova material na era da Inteligência Artificial e do crime sintético”.

O III Seminário APCF segue até a quarta-feira (10), com atividades voltadas ao público interno da Polícia Federal, incluindo workshop estratégico sobre o impacto social da IA na segurança pública e o showcase “Forensic Pitch”, mostra de projetos desenvolvidos por servidores de todo o Brasil com o uso de inteligência artificial.

Hélio Buchmüller é eleito para comandar associação mundial de Ciências Forenses

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blankO presidente da Fundação Justiça pela Ciência e ex-presidente da APCF, perito criminal federal Hélio Buchmüller Lima, foi eleito na quinta-feira (28) presidente da International Association of Forensic Sciences (IAFS), principal entidade mundial dedicada ao desenvolvimento das Ciências Forenses.

A eleição ocorreu durante encontro da associação realizado na Bulgária e representa um marco histórico para a perícia brasileira. Hélio Buchmüller torna-se o primeiro latino-americano a assumir a presidência da IAFS desde a fundação da entidade, em 1957.

Além do reconhecimento internacional à trajetória do perito brasileiro, a escolha também consolida o protagonismo da perícia nacional no cenário científico global. Como resultado do processo de sucessão da entidade, o Brasil foi confirmado como sede do Congresso da IAFS em 2029, que será realizado na cidade do Rio de Janeiro.

“Recebo essa eleição com enorme senso de responsabilidade e como um reconhecimento ao trabalho desenvolvido por gerações de peritos, pesquisadores e instituições que contribuíram para o fortalecimento das Ciências Forenses no Brasil e na América Latina. A realização do Congresso da IAFS no Rio de Janeiro, em 2029, será uma oportunidade histórica para ampliar a cooperação internacional, promover o intercâmbio científico e apresentar ao mundo a qualidade da produção forense brasileira”, afirmou Hélio Buchmüller.

Perito criminal federal desde 2003, Hélio Buchmüller é graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre em Genética pela UFRJ e doutor em Biologia Celular e Molecular pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ele também fundou e presidiu a Academia Brasileira de Ciências Forenses (ABCF) e criou o maior evento do setor da América Latina, a InterForensics.

Fundada em 1957, a International Association of Forensic Sciences reúne especialistas, pesquisadores e profissionais de diversos países e é considerada a mais importante organização internacional dedicada ao avanço das Ciências Forenses. A eleição de um brasileiro para sua presidência e a escolha do Rio de Janeiro como sede do congresso mundial da entidade reforçam o reconhecimento internacional da perícia científica produzida no país.

Peritos criminais federais representam o Brasil em um dos principais exercícios globais de combate ao cibercrime

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Quatro peritos criminais federais brasileiros participaram da segunda edição do Cyber Games and Digital Security Challenge, realizado de 19 a 21 de maio, em Marrakesh, no Marrocos. Gabriel Menezes Nunes, Yuri do Amaral Nobre Maia, João Vitor de Sá Hauck e João Fernando Paiva Castro integraram o grupo de cerca de 160 especialistas selecionados em processo internacional de pré-seleção com aproximadamente 400 candidatos, representando a perícia criminal federal brasileira em um dos mais relevantes ambientes de treinamento operacional voltados ao enfrentamento do cibercrime.

Organizado pelo Conselho da Europa, em parceria com a Interpol e autoridades de segurança marroquinas, o evento reuniu investigadores policiais, peritos forenses digitais, analistas de inteligência cibernética e especialistas em rastreamento de criptoativos de quase 50 países. Ao longo de três dias, os participantes atuaram em cenários simulados que reproduziram desafios reais de investigações envolvendo ransomware, lavagem de dinheiro com criptoativos, inteligência de fontes abertas (OSINT), apreensão de ativos digitais e construção de casos criminais com base em evidências eletrônicas.

Foi a primeira vez que o exercício foi realizado no continente africano, em um movimento que reforça a ampliação da cooperação internacional diante do avanço de ameaças cibernéticas transnacionais. O foco do encontro está no treinamento conjunto e na integração operacional entre autoridades de diferentes países para o enfrentamento de crimes que ultrapassam fronteiras e exigem respostas coordenadas.

A participação brasileira nesse ambiente evidencia a expertise da perícia criminal federal em áreas estratégicas como computação forense, análise de malware, rastreamento de criptoativos e inteligência digital. A presença em iniciativas internacionais desse porte contribui para o intercâmbio de conhecimentos, o aprimoramento de metodologias investigativas e o fortalecimento da capacidade de resposta do Brasil diante de organizações criminosas com atuação transnacional.

A primeira edição do Cyber Games and Digital Security Challenge foi realizada na Malásia, em 2025. A próxima edição está prevista para 2027, na Europa.

PCF Robson Polito defende tese na UnB sobre autonomia pericial no sistema de Justiça

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blankO perito criminal federal Robson Ferreira Polito defende, nesta sexta-feira (22), às 14h, a tese de doutorado “Lógicas Institucionais e Autonomia no Sistema de Justiça: percepções sobre a identidade e práticas da perícia criminal”, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade de Brasília (UnB).

A pesquisa aborda a autonomia pericial a partir das relações entre identidade profissional, práticas técnico-científicas e funcionamento do sistema de Justiça. O trabalho discute como diferentes lógicas institucionais influenciam a atuação dos peritos criminais e os desafios para a preservação da independência necessária à produção da prova material.

Ao tratar da autonomia em dimensões técnico-científica, institucional, organizacional e intelectual, a tese contribui para o debate sobre a garantia de condições adequadas para que a atividade pericial seja exercida com isenção, rigor técnico e responsabilidade pública.

A defesa será realizada em formato remoto, com acesso aberto aos interessados.

Serviço

Defesa da tese
Data: 22 de maio de 2026
Horário: 14h
Acesso: Microsoft Teams 

APCF apoia novo cordel de José Alysson com proposta de acessibilidade e inclusão

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O perito criminal federal José Alysson D. M. Medeiros lança este mês o cordel “O Perito Criminal e o Mistério dos Sentidos”, obra que propõe uma reflexão sobre acessibilidade, inclusão e atividade pericial a partir da linguagem da literatura popular. Publicado em formato acessível, com edição em braille-tinta, o material ganha destaque em alusão ao Dia Mundial de Conscientização sobre a Acessibilidade, celebrado este ano nesta quinta-feira, 21 de maio.

A publicação conta com o apoio da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) e dá continuidade à produção autoral de Alysson, que tem utilizado a literatura de cordel para aproximar a sociedade de temas relacionados à perícia criminal federal, à ciência forense e à cultura popular.

Nesta nova obra, o autor amplia o alcance da iniciativa ao investir em diferentes formatos de acessibilidade. Além da edição impressa em braille-tinta, o cordel também está disponível em PDF acessível, compatível com tecnologias assistivas, como leitores de tela, e conta com vídeo com interpretação em Libras e narração do próprio autor, permitindo que o conteúdo alcance públicos diversos.

A iniciativa também busca ampliar a circulação da obra em diferentes regiões do país. A proposta é mobilizar a presença nacional dos peritos criminais federais para apoiar a distribuição dos exemplares em seções Braille de bibliotecas brasileiras, fortalecendo o alcance social e educativo do projeto.

Cordel em braille-tinta

A edição em braille-tinta combina o texto impresso em tinta com a escrita em braille em relevo, possibilitando a leitura tanto por pessoas cegas ou com baixa visão quanto por leitores sem deficiência visual. O formato também exige uma edição física maior do que o padrão tradicional dos folhetos de cordel, geralmente impressos em tamanho próximo ao A6.

Segundo Alysson, a iniciativa surgiu após ele receber de um amigo o cordel “O ABC do Cuscuz”, de Gil Holanda, impresso em braille-tinta. A experiência despertou o interesse do perito criminal federal pela produção de materiais culturais acessíveis, especialmente em um campo ainda pouco difundido nesse formato, como a literatura de cordel.

“Depois, pesquisei mais e soube que havia carência de publicações culturais em braille, especialmente de literatura de cordel. Isso me motivou a escrever uma história que pudesse relacionar perícia criminal e reflexões sobre acessibilidade”, explica o autor.

O mistério dos sentidos

No enredo, uma equipe policial se desloca para atender um local de crime quando se depara com um homem cego caminhando pela calçada. A cena provoca reflexões sobre a atuação pericial e sobre a importância dos sentidos para a análise de diferentes vestígios.

Ao longo dos versos, o autor utiliza a narrativa para mostrar que a perícia criminal federal não depende apenas da visão. O cordel aborda, de forma didática, como tato, olfato e audição também podem ser fundamentais em diferentes áreas da atividade pericial, da documentoscopia à engenharia, da química forense à perícia ambiental, da análise audiovisual à biologia.

A obra também chama atenção para os riscos de uma percepção limitada dos fatos. Ao relacionar acessibilidade e ciência forense, Alysson propõe uma reflexão sobre a necessidade de reconhecer limites, interpretar vestígios com método e recorrer à ciência para alcançar a verdade.

“Todos, independentemente de suas limitações, merecem acesso a obras científicas e culturais. Poder lançar um cordel nesta data é importante para levar essa reflexão aos meus colegas policiais e ao público em geral”, destaca o perito criminal federal.

Acessibilidade, memória e distribuição

Além de abordar a acessibilidade como tema, o cordel também busca praticá-la em sua própria forma de circulação. Exemplares da obra já foram distribuídos a diferentes instituições e bibliotecas, entre elas a Biblioteca do Espaço Cultural, o Instituto dos Cegos do Nordeste, em Campina Grande, o Instituto dos Cegos da Paraíba Adalgisa Cunha, a Escola Estadual de Educação Especial Ana Paula e a Biblioteca da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

A edição traz ainda uma seção de curiosidades sobre Louis Braille, criador do sistema de leitura e escrita utilizado por pessoas cegas, ampliando o caráter educativo da publicação.

As ilustrações são assinadas pela xilogravurista pernambucana Maria Edna da Silva (Edna), parceira recorrente nos trabalhos de Alysson, cuja arte dialoga com a tradição estética do cordel nordestino.

Com “O Perito Criminal e o Mistério dos Sentidos”, Alysson reafirma a literatura de cordel como instrumento de divulgação científica, educação e inclusão. A obra destaca a contribuição dos peritos criminais federais para a produção de conhecimento e reforça que a acessibilidade também passa pela democratização do acesso à cultura, à informação e à ciência.